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No próximo sábado, 1° de Dezembro, é o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, data instituída há 30 anos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). Com as ações de prevenção, ampliação do acesso à testagem e a redução do tempo entre diagnóstico e início do tratamento, Santa Catarina tem obtido ótimos resultados registrados nos últimos seis anos.


De 2011 a 2017, houve uma edução de 34% na taxa de detecção de casos novos e de 26% no coeficiente de mortalidade por AIDS no território catarinense. Os dados fazem parte do boletim elaborado pelo Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, e demonstra o resultado do esforço de todos os estados e municípios no enfrentamento do HIV/Aids;


Atualmente, de acordo com a Gerência de Vigilância de IST, HIV/Aids e Hepatites Virais da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE), aproximadamente 38.413 pessoas convivem com o vírus HIV no Estado e, em média, 2 mil novos casos de infecções pelo HIV são registrados por ano.
Infecção pelo HIV.

No período de 2007 até Junho de 2018, foram registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) 11.234 casos de infecção pelo HIV em Santa Catarina, sendo a maioria em pessoas do sexo masculino, com uma proporção de 23 homens para cada 10 mulheres. A maioria das infecções acomete jovens entre 20 a 34 anos (54,5% dos casos).

Ao considerar indivíduos maiores de 13 anos de idade, segundo a categoria de exposição, verificou-se que, entre os homens, aproximadamente 51,4% foram decorrentes de relações homossexuais ou bissexuais, 40,8% por relações heterossexuais e 2,5% por usuários de drogas injetáveis. Já entre as mulheres, 92,7% foram decorrentes por exposição heterossexual e 1,4% por usuário de drogas injetáveis.

Infecção pelo HIV em gestantes

Em Santa Catarina, no período de 2000 até Junho de 2018, foram notificados 8.121 gestantes infectadas com HIV. A taxa de detecção de gestantes com HIV apresentou uma tendência de estabilização neste período, variando de 5,1 casos/1000 nascidos vivos em 2006, para 5,2 casos/1000 nascidos vivos em 2017.
Em comparação com os demais estados, Santa Catarina apresentou em 2017 a segunda maior taxa de detecção de gestantes infectadas com HIV (52,2/1000 vivos), ficando atrás do Rio Grande do Sul (9,5/1000 nascidos vivos). E ficou acima da média nacional (2,8 casos/1000 nascidos vivos). Apesar de representar quase o dobro da média nacional, a taxa de detecção de gestantes com HIV pode ser representada pelo avanço do diagnóstico de HIV durante o pré-natal, principalmente a partir de 2014, com a implantação do teste rápido na Rede Cegonha.


Casos de AIDS em crianças menores de 5 anos


De 1980 a Junho de 2018, foram notificados 1.036 casos de crianças menores de cinco anos com AIDS, número que vem diminuindo ao longo dos anos. Em 2017 foram notificadas seis crianças menores de cinco anos com AIDS, representando uma taxa de detecção de 1,4 casos/100.000 habitantes, uma das menores entre os estados do país e abaixo da taxa nacional (2,0 casos/100.000 hab). Em 2015 foram 16 casos (3,6 casos/100.000 hab) e em 2016 ocorreu o registro de 11 casos (2,5/100.000 hab), o que evidencia uma tendência de queda nesse indicador ao longo dos anos.


Segundo o diretor de Vigilância Epidemiológica, Eduardo Macário, essa redução indica a efetividade das políticas de prevenção da transmissão vertical implementada nas últimas décadas. “Ao longo dos anos, por meio de diversas ações temos conseguido obter uma queda progressiva dos casos, mas vamos continuar trabalhando para alcançar nosso objetivo que é zerar esse índice”, explica o diretor.

Casos de AIDS


De 1980 aJunho de 2018 foram notificados 47.461 casos de AIDS em Santa Catarina. A taxa de detecção, que já foi de 40,5 casos por 100 mil habitantes em 2011, ocasião em que Santa Catarina apresentava a segunda maior taxa de detecção entre os estados, atrás apenas do Rio Grande do Sul (43,6 casos/100.000 hab), vem diminuindo ao longo dos anos. Em 2017, a taxa de detecção de AIDS em Santa Catarina foi de 26,8 casos/100 mil habitantes, uma redução de 34% entre 2011 e 2017. O Estado passou a ocupar a 5ª posição entre as unidades da Federação com maiores taxas de detecção de AIDS, atrás de Roraima (36,8), Amapá (29,8), Rio Grande do Sul (29,4) e Amazonas (28,6).

Mortalidade por Aids
Em Santa Catarina, no período de 1980 a 2017, foram registrados 12.598 óbitos tendo o HIV/AIDS como causa básica. O coeficiente de mortalidade por AIDS no Estado passou de 7,7 óbitos por 100 mil em 2011 para 5,7 óbitos por 100 mil habitantes em 2017. Isto representa uma redução de 26% no coeficiente de mortalidade, o que demonstra que cada vez mais pessoas têm procurado diagnóstico precoce que, aderido ao tratamento para o HIV, resultou na diminuição de casos novos de AIDS e também na mortalidade.

Ações em Santa Catarina
A Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE) alerta a população para a importância das medidas de prevenção combinada e do diagnóstico precoce em HIV/AIDS. Prevenção Combinada é uma estratégia que faz uso simultâneo de diferentes abordagens como a biomédica, que trata de ações de barreira física (preservativos), a comportamental, com disseminação de informações para a população e a sócio cultural para público específico.

As ações realizadas pela Gerência de Vigilância de IST, HIV/Aids e Hepatites Virais da DIVE, nos últimos anos, tiveram como objetivo ampliar o diagnóstico precoce, a adesão ao tratamento por parte das pessoas vivendo com HIV/AIDSs e também capacitar os profissionais de saúde e informar a população sobre o agravo e suas formas de prevenção.

Nas ações de prevenção foram distribuídos entre 2017 e 2018, mais de 26 mil preservativos masculinos para os 295 municípios do Estado, 1.131.780 preservativos femininos e 3.368.837 de unidades de gel lubrificante.

Já em relação à Profilaxia Pós Exposição ao Vírus HIV – PeP, em 2017 foram dispensados 3.439 tratamentos, o que representa um aumento de 23% em relação a 2016, em que foram dispensados 2.807 tratamentos. A PEP é uma medida de prevenção de urgência à infecção pelo HIV, hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), que consiste no uso de medicamentos para reduzir o risco de adquirir essas infecções.

Deve ser utilizada após qualquer situação em que exista risco de contágio, tais como violência sexual, relação sexual desprotegida (sem o uso de camisinha ou com rompimento da camisinha) e acidente ocupacional (com instrumentos perfuro cortantes ou contato direto com material biológico).

Outra forma de prevenção, no caso da transmissão vertical, é a distribuição da fórmula infantil para bebes de até seis meses de mães soropositivas que não podem amamentar. Durante os anos de 2017 e 2018, foram distribuídas 7.271 latas de fórmulas infantil aos municípios do Estado. Para ampliar o diagnóstico precoce de HIV por meio de testes rápidos foram distribuídas 382.058 unidades de teste rápido nos anos de 2017 e 2018..

A Profilaxia Pré-Exposição ao HIV é um novo método de prevenção à infecção pelo HIV. A PrEP consiste na tomada diária de um comprimido que impede que o vírus causador da AIDS infecte o organismo antes da pessoa ter contato com o vírus. A PrEP teve início em Fevereiro de 2018, no município de Florianópolis. A partir do mês de Dezembro, a PrEP será extentida para mais 13 municípios.

Em todo o Estado serão 14 municípios ofertando a PrEP, abrangendo as regiões Sul, Meio Oeste, Norte e Nordeste, Vale do Rio Itajaí e Grande Florianópolis que estarão cobertos com mais este método de prevenção combinada. Somente no município de Florianópolis, 316 pessoas estão cadastradas no serviço.

Em 2018, foram realizados sete eventos para capacitar os profissionais de saúde do SUS em Santa Catarina. Dentre eles destaca-se o de Manejo Básico de HIV/TB e o II Seminário de Boas Práticas para Ampliar a Adesão ao Tratamento das PVHIV.

Em 2017, 26.536 pessoas apresentaram adesão suficiente ao tratamento, 84% das pessoas vivendo com HIV/Aids em Santa Catarina estão em supressão viral, o que significa risco diminuído da transmissão viral. Atualmente, 6,10% das pessoas com diagnóstico de HIV estão em abandono. Ações estão em desenvolvimento para reduzir o abandono de tratamento promovendo vinculação das pessoas aos serviços de saúde e sua adesão a TARV. No ano de 2017 2.661 pessoas voltaram a apresentar adesão suficiente.

Declaração de Paris

Em Junho deste ano, o governo de Santa Catarina e os 12 municípios que fazem parte da Cooperação Interfederativa para resposta à situação do HIV/AIDS assinaram a Declaração de Paris. Por meio dela, todos se comprometeram a acelerar os esforços locais para alcançar o fim da epidemia de AIDS até 2030. Entre as ações está o cumprimento das metas de tratamento 90-90-90 do United Nations Programme on HIV/AIDS (UNAIDS), que significa ter, até 2020, 90% das pessoas que vivem com HIV conhecimento do seu diagnóstico, 90% das pessoas com infecção pelo HIV recebendo tratamento antirretroviral e e 90% das pessoas que estão em tratamento tenham sua carga viral suprimida, mantendo-se saudáveis e reduzindo o risco de transmissão do HIV.

Os municípios que fazem parte da Cooperação Interfederativa para resposta à situação do HIV/AIDS são Florianópolis, São José, Palhoça, Itajaí, Balneário Camboriú, Joinville, Blumenau, Brusque, Chapecó, Lages, Criciúma e Jaraguá do Sul.