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 Blumenau e Joinville, 4 de julho de 2016

Santa Catarina é o primeiro estado brasileiro a implantar o Projeto Vida no Trânsito em cidades com menos de um milhão de habitantes. Na última sexta-feira, 1, a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive/SC) da Secretaria de Estado da Saúde (SES) encerrou o ciclo de oficinas realizadas em Blumenau e Joinville que marcaram o início da expansão do projeto no estado para além da capital.  

Trouxemos os melhores especialistas do país para debater e subsidiar a implantação nesses municípios, e, juntos, construímos uma agenda de ações que deverão proporcionar a efetividade do programa”, afirmou Eduardo Macário, diretor da Dive/SC. A proposta da Secretaria de Estado da Saúde é estender o Projeto Vida no Trânsito a outras cidades catarinenses até 2018. “Nosso grupo está fortalecido para dar apoio aos municípios que estão aceitando esse desafio”, complementou Gladis Helena da Silva, gerente de vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis da Secretaria de Estado da Saúde.

O Projeto Vida no Trânsito foi implantado em Florianópolis em 2012, ano em que foi expandido a todas as capitais brasileiras. Por iniciativa do governo catarinense, o programa está sendo iniciado também em Blumenau e Joinville, municípios que figuram entre os dez com as maiores taxas de mortalidade por desastres no trânsito do estado: 29,3/100.000 habitantes e 29,2/100.000 habitantes, respectivamente, conforme dados de 2014 obtidos no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde.

A secretária de Saúde de Blumenau, Maria Regina de Souza Soar, ressaltou a importância do envolvimento de outros órgãos, serviços e entidades para que a prevenção e a educação no trânsito possam reduzir a imprudência e as mortes em Blumenau. A interdependência dos órgãos deve ser reconhecida para a melhoria da qualidade do trânsito nas cidades, na opinião de Leandro Pereira Garcia, Diretor de Vigilância em Saúde da Prefeitura de Florianópolis. Na cidade, a taxa de mortalidade no trânsito em 2015 foi de 11/100.000 habitantes. “De acordo com o Mapa da Violência de 2012, registramos três vezes mais mortes no trânsito do que por homicídios no estado, e nossas forças policiais estão mais voltadas para a violência interpessoal. Se queremos produzir saúde, precisamos trabalhar a governança para promover saúde”, ressaltou. 

 “Parabenizo o Governo do Estado de Santa Catarina por incorporar esta iniciativa tão importante, sistematizada e baseada em evidências para combater uma das principais causas de morte do país, principalmente entre jovens e adultos”, afirmou Victor Pavarino, consultor internacional da Organização Pan-Americana de Saúde no Brasil – instituição vinculada à Organização Mundial da Saúde, parceira do Ministério da Saúde na coordenação do Projeto Vida no Trânsito.

Além de Victor Pavarino, as oficinas contaram com palestras de Otaliba Libânio de Morais Neto, coordenador da Comissão Interministerial do Projeto Vida no Trânsito; e de Vera Lídia de Oliveira, apoiadora do Ministério da Saúde na ampliação do Projeto Vida no Trânsito. “O fato de o programa estar focado em alguns fatores de risco, como velocidade excessiva e dirigir sobre a influência do álcool, e implementar intervenções efetivas, podem fazer com que haja um impacto importante na melhoria da segurança do trânsito nessas cidades. Como consequência final, pode reduzir mortes e internações hospitalares, como temos observado em alguns municípios que já implantaram o projeto, principalmente nos primeiros”, destacou Otaliba Libânio.

Dentre as cinco cidades piloto do Vida no Trânsito, Curitiba (PR) já apresenta estatísticas positivas. “Em 2011, a taxa de mortalidade por desastres no trânsito era de 17,6 por 100 mil habitantes. Em 2015 caiu para nove por 100 mil habitantes – uma redução de 40,6%”, informou Vera Lídia, apoiadora do Ministério da Saúde e coordenadora da Comissão de Informação do Programa Vida no Trânsito de Curitiba.

Segundo Lídia, é recente esse olhar da saúde para os desastres ocorridos no trânsito. “Foi um salto positivo no sentido de prever uma interação maior além do serviço típico de atender a vítima, mas de desenvolver estratégias para interferir no evento”, disse. Victor Pavarino também exaltou o protagonismo do setor de saúde. “Especialmente no que concerne à qualificação da informação, que é fundamental para um trabalho de investigação efetivo e à capacidade ímpar que o setor saúde tem de amealhar os demais setores envolvidos na temática do trânsito, seja da área de transporte, da segurança pública, das polícias, da educação, de obras e urbanismo, por exemplo”, ressaltou o consultor internacional. 

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