icone facebookicone twittericone instagram


SOLIDARIEDADE
Dia de time em campo no Hemosc
Torcedores do JEC podem doar sangue hoje e ajudar a subir estoque de bolsas

Ontem, Dia do Tricolor, a torcida do Joinville Esporte Clube mostrou que realmente dá o sangue pelo time. Onze torcedores foram ao Hemosc, anexo ao Hospital Municipal São José, para doar sangue. Quem não foi ontem tem hoje nova chance de mostrar presença e estender a mão a quem precisa de ajuda. E o movimento de doação coletiva veio em hora crucial para o estoque do hemocentro.

O Hemosc comunicou ontem que os hospitais de Joinville devem suspender cirurgias eletivas devido aos baixos estoques de bolsas de sangue, principalmente dos tipos O e A negativos. Para se ter ideia, o estoque que atende ao São José estava com 12 bolsas de O negativo pela manhã. O mínimo ideal é 40.

Segundo a coordenadora de captação, Tânia Mara Weiler, “muitos torcedores vieram, mas nem todos preenchiam requisitos para doar”. Por isso, é bom ficar atento às condições necessárias para participar (ver quadro abaixo).

De manhã, Thamara Serpa Konell, de 18 anos, fez a sua parte. A torcida passou a ser convocada há três anos, e desde então ela contou os dias. “Só agora tenho idade para poder doar.” Dono de metalúrgica, Genivaldo Mello, conhecido como Karpanno, incentivou funcionários a doar sangue. “Liberei os interessados e quem doar vai ganhar uma camisa do JEC.”

 

 

 

 

AIDS VOLTA A CRESCER EM JOINVILLE
Pelo terceiro ano consecutivo, a incidência de Aids volta a crescer em Joinville. O balanço do ano passado da Secretaria de Saúde de Joinville, divulgado nesta semana, apontou 201 casos, uma média de quase quatro por semana. Em 2009, foram 171 registros e, no ano anterior, 161 casos. Apesar do crescimento no ano passado, já teve ano com número maior, como em 2007, quando foram 247 notificações. “O aumento da incidência de Aids reflete a melhoria na captação e notificação dos casos decorrente da divulgação de informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento através das ações educativas nos diversos eventos realizados ao longo do ano”, alega a Saúde no relatório de gestão. Em sentido inverso, a mortalidade pela doença teria recuado no ano passado. Pelos dados da Secretaria de Saúde de Santa Catarina, a Aids teria matado 53 pessoas no ano passado. No ano anterior, foram 62 vítimas, o recorde joinvilense desde o primeiro caso, na década de 80.


Disparidade
Nos dois hospitais privados de Joinville, o índice de cesarianas chega perto de 80%. No Dona Helena, ficou em 78% no ano passado. Na Unimed, um pouquinho mais, 79%. Pelo SUS, as cesarianas despencam, ficando em 36% na Maternidade Darcy Vargas e 42% no Materno-infantil. No geral, dá cesariana na frente do parto normal. Não chega a ser uma novidade, mas é incrível tanta diferença entre público e privado.


Mudas para bebês
Em São Paulo, tem polêmica sobre projeto de vereador que quer obrigar as maternidades a dar uma muda de árvore para a família de cada recém-nascido. A polêmica nasceu pelo inusitado da proposta. Em Joinville, projeto com mesmo conteúdo foi apresentado ainda em 2007, pela então vereadora Carmelina Barjona (PP). A ideia foi arquivada dois anos depois.

 

 

 

 


CLASSE MÉDICA
Unimed SC tem novo presidente

O médico Genoir Simoni foi eleito ontem presidente da Unimed SC, com 610 dos 976 votos – 63% do total. Ele era da chapa da situação e anunciou as duas principais metas para o mandato de quatro anos: a melhoria no atendimento aos pacientes e o aumento nos valores recebidos pelos médicos.

O novo presidente disse acreditar que os dois objetivos podem ser alcançados com a construção de um hospital próprio de alta complexidade. O projeto já está em andamento e prevê cem leitos, unidade de terapia intensiva e centros cirúrgicos. A estrutura ficará numa área entre 15 e 20 mil metros quadrados.

Genoir declarou que não há como começar a construção em menos de 90 dias e afirmou que os trabalhos devem ser concluídos em quatro anos. A assembleia da Unimed realizada em outubro do ano passado estimou gastos em torno de R$ 50 milhões, mas pode haver alterações se ocorrerem mudanças no mercado. Somente em 2010, a Unimed faturou cerca de R$ 540 milhões.

Local do novo hospital ainda não está definido

Na quarta-feira, terminou o prazo para as empresas interessadas entregarem a documentação que comprova a capacidade de fazer o hospital. Genoir falou que tudo será analisado e somente as consideradas aptas passarão à próxima etapa. As construtoras habilitadas vão participar de uma seleção para a escolha da vencedora.

A ideia inicial é a empresa pagar a obra e, no final, a Unimed comprar o prédio. Genoir declarou que estudos futuros podem mudar esse mecanismo. Ele afirmou também que o local não foi definido. Num primeiro momento, a opção é pela Ilha, mas pode haver mudança para o Continente ou uma cidade vizinha.

Genoir também disse que o resultado da eleição vai ao encontro da trajetória de um homem que luta há oito anos pelos médicos. Ele disse que, ontem, a classe compreendeu.

 

 

 


ESCLARECIMENTO – A reportagem publicada na página 38 da edição de 30 de março, com o título TCE relata desvio de verbas, não afirma que os problemas na gestão da Saúde nas cidades de Biguaçu, Palhoça e São José se referem a desvio de verba pública para benefício de pessoas, como pode ter sugerido o título. O texto da reportagem deixa claro que o que foi detectado nas avaliações foi desvio de finalidade, ou seja, uso de verba pública que tinha um destino para outro destino também na área pública.

 

 

 

 


Durante a audiência pública, o secretário da Saúde da Capital, João José Cândido da Silva, fez uma abordagem demolidora – que definiu como “técnica” – sobre o sistema hospitalar público da Grande Florianópolis. Sem meias palavras, sentenciou que o atendimento seria muito melhor se os hospitais estaduais estivessem funcionando plenamente. Citou o caso escandaloso do Hospital Infantil Joana de Gusmão, que deveria oferecer 195 leitos e só tem 95 operando. Por falta de pessoal. Até UTIs estão paralisadas.

Não falou, mas se tivesse mencionado, seria outra indecência: as reformas do Hospital Infantil, da emergência do Hospital Celso Ramos e do Hospital Florianópolis, que se arrastam por anos e ninguém ousa prever quando terminarão.

Se os assessores do governador revelassem o que estão encontrando debaixo do tapete na saúde e em outras áreas, o escarcéu seria muito maior.

 

 

 

Cidade

Longa espera pro reabilitação
Hidroterapia. Piscina do centro Catarinense está desativada por falta de equipamento

O Centro Catarinense de Reabilitação (CCR) enfrenta há dois anos dificuldades para atender deficientes físicos que necessitam da hidroterapia, tipo de tratamento realizado dentro de uma piscina adaptada. Em fevereiro de 2009, o aquecedor de água da piscina teve problemas e o governo decidiu reformar todo o espaço, que não passava por modificações desde a inauguração do centro, em 1973. Em setembro as obras começaram e, em dezembro, a sala foi entregue.

Avaliações de engenheiros da Secretaria de estado da Saúde comprovaram a qualidade do serviço realizado pela empresa Bonfim Engenharia Ltda, que venceu a licitação. No entanto, dias após a entrega, o novo aquecedor foi danificado e a piscina foi interditada um dia antes do retorno dos pacientes ao tratamento.

“Desde então chamamos a empresa várias vezes para tentar solucionar o problema. Conseguimos que eles arrumassem uma infiltração de água que ocorria na casa de máquinas. Entretanto, a questão da piscina não foi resolvida. Agora abrimos um novo processo licitatório para agilizar a troca deste aparelho. Esperamos que dentre 60 e 90 dias possamos utilizar novamente a piscina”, explica o engenheiro da SES, Luís Carlos de Souza Junqueira. O investimento total na obra foi de R$ 140 mil, destes cerca de R$ 30 mil foram utilizados para a compra do aparelho.

Equipamento era inadequado, diz empresa

Segundo o proprietário da empresa que realizou a obra, Norberto Santos Bonfim, o equipamento que constava na licitação não era o adequado para o CCR. “Contrataram minha empresa para instalar um sistema manual, que precisa de pessoa habilitada para manipular. Como não havia isso, o equipamento queimou. Depois eles viram que existiam sistemas automatizados e agora vão abrir licitação. Eu não acho que devo trocar se foi o pessoal do centro que queimou”, afirma. Ele ainda relata que a água da piscina tem muito sal, o que causou a corrosão das barras. “Se colocar ouro ali dentro também vai corroer”, afirma.

Para Junqueira, o equipamento solicitado era o correto e o empreiteiro contratado tem a responsabilidade da obra. “A piscina nunca funcionou. A obra tem garantia de cinco anos e ele não vai conseguir se eximir da responsabilidade. Ele está agindo de má fé”, salienta.

Demanda ultrapassa 160 pacientes

Mais de 160 pacientes seriam atendidos por semana se a piscina estivesse disponível. Uma dessas pessoas que necessitam do tratamento é Lia Marlene Machado D’Ávila, 59. Ela caiu de uma escada durante o trabalho em 1981, e teve uma lesão medular que a impede de caminhar. “Faço tratamento no Hospital Sara Kubitschek, em Belo Horizonte, e preciso continuar o processo aqui no estado, mas não tenho onde fazer. Temo perder o tratamento no Sara e regredir na minha reabilitação. Não quero viver o resto da minha vida em uma cadeira de rodas”, explica ela.

Lia ficou dois meses hospitalizada no Sara Kubistchek e precisa retornar a cada seis meses para avaliação dos médicos sobre a evolução do tratamento. “Já estou brigando por isso há 28 anos. Não acho justo ter uma piscina parada enquanto muitas pessoas precisam dela. O estado não nos dá condições de fazer o tratamento aqui.

 

Região

Entrou na fila, pode esperar!
Saúde. Paciência e fé, a receita para esperar por atendimento nos municípios da região

Reclamações e casos de deficiências no atendimento na área da saúde nos municípios de Biguaçu, Palhoça e São José são mais comuns do que se pensa. Esta semana, uma auditoria divulgada pelo TCE constatou uma série de problemas e cobrou esclarecimentos por parte das secretarias municipais de saúde.

Os responsáveis pelo setor nos municípios de Biguaçu, Palhoça e São José alegam que os problemas detectados na auditoria existem em toda a região da Grande Florianópolis e que estão se esforçando ao máximo para reverter o quadro. O responsável  pelo setor de regulação da Secretaria de saúde de Biguaçu, Diogo Démarche, observa que as cidades acabam ficando reféns do estado. “A oferta de cirurgias da Secretaria de Saúde do estado é muito pequena. Pleiteamos vagas diariamente e colocamos no sistema, mas todas as cidades brigam por elas”, alega.