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FUMACEIRA
Uma fumaça preta que frequentemente é vista saindo de uma chaminé dos fundos do Hospital Nossa dos Prazeres, em Lages, tem intrigado os moradores da região. Apesar da tonalidade assustadora, o diretor administrativo da instituição, Canísio Isidoro Winkelmann, garante que a fumaça não é proveniente de lixo hospitalar nem tóxica, e está dentro dos padrões sanitários e ambientais. Confira a história completa em www.clicrbs.com.br/diariodaserra.

 

COMBATE À DENGUE
Dia de vistoria nos ônibus que chegam a Florianópolis
Agentes de saúde realizam, durante todo o dia de hoje, pente-fino no Terminal Rodoviário Rita MariaOs ônibus que chegarem hoje ao Terminal Rodoviário Rita Maria, em Florianópolis, passarão por um pente-fino. A procura é por focos ou mosquitos adultos do Aedes aegypiti, responsáveis pela propagação da temida dengue. A ação dos agentes da Saúde começa a partir das 9h.

A ação tem o objetivo de detectar e eliminar focos ou mosquitos que venham de fora para Florianópolis. De acordo com o secretário de Saúde do município, João José Cândido da Silva, na Capital há 1.396 armadilhas espalhadas para capturar as larvas do Aedes aegypiti. Elas são armadas em pontos estratégicos, como cemitérios, borracharias, depósitos e garagens, somando 771 pontos na cidade.

Silva conta que quando um foco é encontrado, a vistoria é ampliada em um raio de 300 metros do local. Até agora, Florianópolis registrou três focos do mosquito, todos no Bairro Capoeiras, área continental.

Em 2010, foram 24 focos. De acordo com o secretário, Capoeiras também foi o campeão. Ele explica que isto acontece porque na localidade há várias borracharias e ferros-velhos, uns dos locais mais propícios para a procriação das larvas.

A vistoria que será feita no terminal rodoviário deve durar o dia inteiro. Panfletos também serão distribuídos para a população.

Em SC, todos os casos vieram de outros estados

Ontem, também foi dia de mobilização contra a dengue na Fundação Nacional de Saúde de Santa Catarina (Funasa). Servidores e estagiários receberam palestras educativas sobre a doença e acompanharam vistoria demonstrativa de agentes que trabalham no controle contra a propagação do mosquito.

O Estado é o único do país que não tem casos de dengue contraídos em seu território. Todos os registros da doença foram importados de outras regiões. Em 2011, segundo dados do Ministério da Saúde, foram registrados 22 casos – entre suspeitos e confirmados – de dengue em SC. Porém, todos contraídos fora.

Este ano, 124 focos do mosquito foram registrados em território catarinense. Desses, 92 são casos imóveis, ou seja, detectados em casas, escritórios ou empresas, e não nas ruas.

Segundo a Secretaria de Saúde do Estado, os números comprovam que as pessoas não estão tomando os cuidados necessários para evitar o foco do mosquitos.

Em caso de denúncias ou procura por agentes que trabalham na prevenção da dengue, as pessoas devem entrar em contato com a Vigilância Epidemiológica de seu município.

Suspeita de caso em SC

O caso da doença em São João do Oeste, que pode ser o primeiro contraído em SC, não está confirmado. O resultado do exame no homem de 77 anos deve ser divulgado até o fim do mês. Segundo o diretor da Vigilância Epidemiológica do Estado (Dive), Luis Antônio Silva, somente a esposa teve a confirmação da doença, contraída no Mato Grosso, em janeiro.

O secretário de Saúde de São João do Oeste, Vitus Ritter, afirma que desde 2006 nenhum foco é encontrado. Foram realizadas sete vistorias na casa e não houve registro do mosquito:

– Não que a contaminação tenha ocorrido aqui. Não há nenhum outro paciente sendo tratado ou com suspeita da doença. Esse é um caso isolado. Ele já está em casa e se alimenta bem. A mulher dele já está boa.

O infectologista da Dive, Fábio Faria, explica que qualquer pessoa com suspeita da doença só poderá ter certeza da contaminação a partir do sexto dia de sintoma. A coleta do sangue deverá ser feita nesse período, já que é o tempo em que o corpo leva para produzir anticorpos. Uma vítima nunca poderá ter uma resposta imediata se tem ou não dengue.

– Esse é um dos motivos de ser difícil diagnosticar a doença, pois muitos pacientes não querem fazer a coleta depois que os sintomas passam. E é nesse período que podemos descobrir a contaminação.

 

SAÚDE EM NÚMEROS
Falta de médicos é o pior problema, segundo Ipea

Levantamento aponta deficiências no atendimento aos pacientes que procuram o SUS no Brasil

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que a falta de médicos é o principal problema do Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa, divulgada ontem, revela a percepção da população sobre os serviços prestados pelo SUS. Foram ouvidas 2.773 pessoas de todas as regiões do país entre os dias 3 e 19 de novembro do ano passado.

O estudo aponta que 57,9% dos entrevistados que usaram ou acompanharam familiares para atendimento no SUS nos 12 meses anteriores à pesquisa indicaram a falta de médicos como o problema mais grave do sistema de saúde. Já entre as pessoas que não utilizam o SUS, 58,8% apontaram a falta de médicos como principal deficiência da rede de saúde pública no Brasil.

A demora no atendimento ficou em segundo lugar, indicada por 35,9% dos usuários do SUS, contra 32,8% para quem não utiliza o serviço. A terceira maior deficiência mostrada pelo Ipea foi a demora para conseguir uma consulta com especialista, apontada por 34,9% dos que utilizam o SUS.

Em SC, atendimento é motivo de reclamação

A falta de médicos e a demora no atendimento são reclamações constantes de usuários do SUS em Santa Catarina. Na Grande Florianópolis, as filas para atendimento são frequentes no setor de emergência do Hospital Regional de São José, um dos maiores hospitais públicos do Estado. Com o pé engessado, Ariane Lavarda, 20 anos, esperava havia 3 horas pela consulta com um ortopedista.

– Na primeira consulta, cheguei no hospital às 15h e só fui atendida pelo ortopedista às 23h – reclamou.

A dona de casa Diana Eulípio, 52 anos, levou o pai, José Eulípio, de Imbituba, para o Hospital Regional, na tarde de ontem. Aos 87 anos, ele tem mal de Alzheimer, diabetes e pressão alta, e procurou o hospital por causa dos dedos do pé, que estão praticamente necrosados, segundo sua filha.

– Ele já foi levado, mas me disseram que ele vai ter que esperar 12 horas para ser atendido pelo médico vascular – lamentou Diana.

Diretores dos hospitais que atendem pelo SUS, na Capital, não quiseram se manifestar. A Secretaria de Saúde do Estado também foi procurada, mas, até o fechamento desta edição, não havia se pronunciado.

Em SC, falta incentivo

De acordo com o presidente da Associação Catarinense de Médicos (ACM), Genoir Simoni, o maior entrave para a saúde pública no Brasil é a má distribuição dos médicos.

Um levantamento feito no ano passado aponta que a natalidade médica no país (quantidade de médicos que se formam) foi de 27% na última década, enquanto o crescimento populacional foi de apenas 12% no mesmo período.

– Não há falta de médicos em si, o problema é a má distribuição dos profissionais – afirma Simoni.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a existência de um médico para cada mil habitantes.

A média nacional é de um médico para 578 pessoas, de acordo com Simoni. Já em Santa Catarina, essa proporção chega a 300 habitantes por médico, na região da Capital, e uma média de 700 habitantes por médico em alguns municípios do interior do Estado.

Embora as médias nacional e estadual sejam superiores ao que indica a OMS, o serviço público apresenta carência de profissionais em diversas especialidades.

– A falta de médicos no SUS ocorre devido aos salários baixos, falta de atrativos, falta de concursos públicos e más condições de trabalho – afirma o presidente da ACM.

 

ATENDIMENTO INFANTIL
Bebê morre em hospital da Capital

Uma menina de nove meses morreu, na manhã de terça-feira, após ser operada no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis.

A criança havia dado entrada treze dias antes, com vômito, e os pais acusam os médicos de negligência.

O primeiro diagnóstico foi de virose. Ela foi mandada para casa mas, como não melhorava, os pais a levaram novamente para o Hospital.

– Eles medicaram a menina e mandaram cuidar em casa só com soro. Aí a gente foi embora e, no sábado de manhã, a gente levou ela de novo com o mesmo sintoma de antes. Aí falaram que era somente uma virose, ela veio para casa e a mesma coisa, tivemos de voltar no domingo ao hospital. Ela já chegou desmaiada, vomitando – relembra Nalzir Mendes, mãe da menina.

Na segunda-feira, a criança foi submetida a uma cirurgia, mas não resistiu e morreu um dia depois. Na declaração de óbito emitida pelo Hospital Infantil, consta que a menina tinha pneumonia, choque séptico e invaginação intestinal. Mas, para a família, a demora no diagnóstico foi decisiva para a morte. A direção do Hospital nega qualquer tipo de atraso no tratamento.

 

PELO MUNDO
Refrigerantes elevam risco de infarto e AVCUm estudo publicado ontem sugere que os consumidores frequentes de refrigerantes dietéticos correm um risco maior de sofrer ataque cardíaco e acidente vascular cerebral do que as pessoas que não consomem refrigerante nenhum. O estudo acompanhou 2.564 pessoas em Manhattan, nos Estados Unidos, e descobriu que as pessoas que consumiram bebidas dietéticas diariamente tiveram um risco 61% maior de sofrer problemas vasculares do que as pessoas que disseram não beberam nenhum refrigerante.

 

 

Parceiros
A Fundação Pró-rim informou ontem que lança em março a pedra fundamental do complexo hospitalar no bairro Boa Vista. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, será convidado. O complexo terá parceiros. “Clínicas, consultórios e laboratórios serão vendidos a grupos de médicos de determinadas especialidades, como oncologia, ortopedia, oftalmologia e cirurgia geral”, informou a Pró-rim.


OPINIÃO 
Falta de médicos

Se a pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre o atendimento no SUS fosse realizada em Joinville, é bem provável que o resultado não seria diferente do verificado na avaliação nacional: a falta de médicos é o principal problema, citado por mais da metade dos entrevistados. Sem médicos, aumenta a fila de espera por consultas, exames e cirurgias. Em estimativa razoável, haveria pelo menos cem vagas em aberto na rede pública de Joinville, embora um número menor de contratações já seria suficiente para melhorar bastante o atendimento ao público.

Em determinadas especialidades, nem aparecem inscritos nos concursos públicos com vagas para Joinville - uma circunstância nacional, mas ainda mais grave em municípios de menor porte, o que obriga os moradores a buscar atendimento em cidades maiores. Sempre há necessidade de vagas. Setores e equipamentos não são ativados, ou atendem com abaixo da capacidade projetada, por falta de profissionais. Salários maiores podem colaborar em atrair mais médicos, mas não será capazes de resolver todo o problema, pois há real carência de profissionais. Assim, a organização do sistema, com gerenciamento de forma que aproveita de maneira mais eficiente os profissionais é a melhor providência.

 

SAÚDE PÚBLICA
Atenção contra a leptospirose

Após alagamentos e 47 casos suspeitos, as autoridades estão em alertaOs constantes alagamentos em Joinville neste início de ano colocaram as autoridades da área de saúde em alerta para o perigo de contágio da leptospirose. Já são 47 casos suspeitos da doença este ano, número que deve aumentar nos próximos 60 dias, considerando que os sintomas da doença costumam aparecer até um mês depois do contato com água contaminada.

Até agora, foi confirmada uma morte pela doença. Dos 47 casos suspeitos, nove foram confirmados e outros 18 estão aguardando o resultado de exames.

O número é baixo, se comparado ao total de casos registrados em anos anteriores, mas mesmo assim é considerado preocupante pela Secretaria de Saúde, que orienta a população a procurar o posto de saúde mais próximo assim que surgirem os primeiros sintomas, que são febre alta com calafrios, dor de cabeça e dor muscular, além de vômitos, diarreia e olhos avermelhados.

O período de incubação da leptospirose pode variar de dois a 30 dias. A média é de dez dias de intervalo entre a contaminação, isto é, o contato com a água, e o começo dos sintomas.

 

AN SERVIÇO
Cirurgia bariátrica

Dia 19 de março, ocorre o 1º Encontro Catarinense de Pacientes Pós-cirurgia Bariátrica (redução de estômago). As inscrições são gratuitas. Mais informações: (47) 3461-5533.


Pesquisa traz o melhor e o pior do SUS
O principal problema do Sistema Único de Saúde (SUS) é a falta de médicos. É o que mostra um estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) divulgado ontem sobre a percepção da população sobre serviços de saúde. Foram ouvidas 2.773 pessoas em todo o País entre os dias 3 e 19 de novembro passado.

Conforme o Ipea, 57,9% dos entrevistados que usaram ou acompanharam familiares para atendimento no SUS nos 12 meses anteriores à pesquisa apontaram a falta de médicos como o problema mais grave do SUS. Entre os que não usaram o sistema público, a falta de médicos também foi destacada por 58,8%.

Para 35,9% das pessoas que usaram o SUS, a demora no atendimento é o segundo maior problema da rede pública (32,8% para os que não utilizaram). A demora para conseguir uma consulta com especialista ficou com 34,9% dos que utilizaram ou acompanharam familiares, contra 28,9% dos que não utilizaram o sistema público de saúde.

De acordo com a pesquisa, o Programa Saúde da Família é o mais bem avaliado pela população: 80,7% dos entrevistados que receberam atendimento consideram o programa bom ou muito bom. Já 14% o veem como regular e 5,4%, ruim ou muito ruim.

A distribuição gratuita de medicamentos foi qualificada como boa ou muito boa por 69,6% e como ruim ou muito ruim por 11%, enquanto 19,4% avaliaram como regular.

Por outro lado, o atendimento de urgência e emergência foi o serviço com a pior avaliação e a maior proporção de respostas ruim ou muito ruim (31,4%).


RIO NEGRINHO
Nem operação salva a vida de gêmeos recém-nascidos

Recém-nascidos morreram depois de complicações na hora do parto. Os meninos nasceram de oito meses no hospital de Rio Negrinho. Os dois eram levados de ambulância ao Hospital Infantil de Joinville, mas no caminho o Samu pediu apoio do helicóptero da PM. A aeronave pegou as crianças em Campo Alegre. Um dos meninos morreu no caminho. O segundo morreu ao dar entrada no hospital. As causas da morte não foram divulgadas.


Dez medicamentos de graça
A Farmácia Popular do Brasil e as farmácias conveniadas (Aqui tem Farmácia Popular) de Jaraguá do Sul têm à disposição, a partir de segunda-feira, os dez remédios que serão distribuídos de graça para hipertensos e diabéticos. Os medicamentos são financiados pelo governo federal.

Para receber o benefício, é necessária a receita médica, que tem validade de quatro meses, carteira de identidade e CPF. O farmacêutico vai entregar apenas a quantidade necessária para um mês. Quando acabar o remédio, o paciente deve voltar à farmácia com os documentos para receber a dose necessária para o próximo período. Segundo o Ministério da Saúde, 33 milhões de brasileiros são hipertensos e 30% da população adulta que têm diabete ou hipertensão não sabem que estão doentes.

A farmacêutica da Farmácia Popular do Brasil, Katrin Grützmacher, explica que as farmácias particulares com o adesivo “Aqui tem Farmácia Popular” também oferecem descontos de até 90% em diversos medicamentos.

Entre os remédios oferecidos com descontos, estão os de contracepção (anticoncepcionais), contra asma, rinite, doença de Parkinson, osteoporose, glaucoma e dislipidemia (gordura no sangue). A lista completa de medicamentos distribuídos gratuitamente ou vendidos com desconto pode ser consultada no balcão da Farmácia Popular do Brasil e no site da Prefeitura (portal.jaraguadosul.com.br).

A Farmácia Popular do Brasil funciona junto à Unidade Sanitária Central (Posto da Reinoldo Rau), rua Reinoldo Rau, 123 – Centro, telefone (47) 3276-8940. Desde outubro de 2008, o estabelecimento é mantido por meio de convênio do governo federal com o governo municipal. O horário de atendimento é das 8 às 18 horas, de segunda a sexta-feira e, aos sábados, das 8 às 12 horas.


A lista
HIPERTENSÃO
- Captopril 25 mg, comprimido
- Maleato de enalapril 10 mg, comprimido
- Cloridrato de propranolol 40 mg, comprimido
- Atenolol 25 mg, comprimido
- Hidroclorotiazida 25 mg, comprimido
- Losartana Potássica 50 mg
DIABETES
- Glibenclamida 5 mg, comprimido
- Cloridrato de metformina 500 mg – comprimido
- Cloridrato de metformina 850 mg – comprimido
- Insulina Humana NPH 100 UI/ml – suspensão injetável, frasco-ampola 10 ml *
*Este medicamento será distribuído em diferentes apresentações.

 

OPINIÃO DA RBS
A maior carência Estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) evidencia que o maior problema do Sistema Único de Saúde, na visão dos usuários, é a falta de médicos. Dos 2.773 entrevistados em todos os Estados, 58,1% apontaram a ausência de profissionais como principal dificuldade. A segunda queixa (35,4% dos entrevistados) refere-se à demora no atendimento nos centros de saúde e nos hospitais da rede pública. O terceiro grande problema (com 33,8% de reclamações) é a demora para conseguir consulta com especialistas. Só por estes indicativos já é possível perceber que as principais dificuldades do SUS concentram-se na relação do sistema com os profissionais que lhe prestam serviço.

O sistema é inquestionavelmente útil para os brasileiros. Antes da Constituição de 1988, somente os trabalhadores com carteira assinada tinham garantia de atendimento médico pelo extinto Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social. Aos demais, restavam duas alternativas: pagar pela assistência de médicos particulares e pela internação hospitalar, ou, no caso da maioria, buscar atendimento gratuito nas santas casas, nos postos de saúde estaduais e municipais e nos hospitais universitários. O SUS foi criado para universalizar o atendimento.

Mas, na prática, não é bem assim: muitos brasileiros têm que entrar em longas filas, têm que esperar dias por cirurgias e, pelo que mostra a pesquisa do Ipea, nem sempre encontram os médicos a postos para atendê-los.

Cabe, porém, ao gestor da saúde impedir que isso aconteça, não apenas corrigindo deformações, mas também e principalmente garantindo condições de trabalho para que os profissionais se sintam recompensados pela sua opção pelo serviço público.

 

SUS
Pesquisa conclui que faltam médicos

Programa de Saúde da Família é o melhor avaliado no país SÃO PAULO - Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado ontem, conclui estatisticamente aquilo que os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) já reclamam há décadas: falta médico na rede pública e é longo demais o tempo de espera para atendimentos de urgência e para consulta médica. Em contrapartida, a pesquisa Sistema de Indicadores de Percepção Social aponta que, quando é atendido, o brasileiro avalia bem o serviço. Entre os entrevistados, 80,7% consideram o Programa de Saúde da Família bom ou muito bom.

Já 14% o veem como regular e 5,4%, ruim ou muito ruim. O Programa de Saúde da Família foi o serviço do SUS melhor avaliado em quatro das cindo regiões do Brasil – apenas no Centro-Oeste ficou em segundo lugar. A distribuição gratuita de remédios foi qualificada como boa ou muito boa por 69,6% e como ruim ou muito ruim por 11%, enquanto 19,4% avaliaram como regular.

Atendimento de urgência é considerado muito ruim

Por outro lado, o atendimento em postos de saúde e atendimento de urgência e emergência foram os serviços pior avaliados. O atendimento de urgência e emergência, inclusive, recebeu a maior proporção de respostas ruim ou muito ruim (31,4%), enquanto os centros de saúde tiveram 31,1% de avaliação ruim ou muito ruim.

– Os entrevistados avaliam bem os serviços relacionados a atendimentos em que o acesso é previamente agendado ou rotineiro, como as consultas marcadas com médicos especialistas, a distribuição gratuita de medicamentos e o atendimento da Saúde da Família. O problema parece ser o acesso ao atendimento, ou ao medicamento necessário, em um período de tempo considerado razoável – aponta a técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Luciana Mendes.

A pesquisa indica ainda que “avanços proporcionados pela criação e implantação do SUS estão sendo percebidos pelos entrevistados como valores sociais relevantes”. A gratuidade da rede foi o ponto positivo mais citado (52,7%), seguido por atendimento sem nenhum preconceito (48%) e distribuição gratuita de medicamentos (32,8%).

 

AVALIAÇÃO 
A falta de médicos foi apontada como principal problema do SUS por quase 60% dos entrevistados que usaram ou acompanharam familiares para atendimento no sistema público de saúde nos 12 meses anteriores à pesquisa do Ipea. 35,9% dos usuários do SUS entrevistados acham que a demora no atendimento é o maior problema, contra 32,8% dos que não usaram o serviço público. Em Santa Catarina, o salário médio de um médico do SUS é de R$ 5 mil por 20 horas semanais. O salário recomendado pela Federação Nacional de Medicina é de R$ 8 mil.

 

SUS
Estado tem média menor que a nacional

Em Santa Catarina, o número de médicos por habitante é menor do que a média nacional. De acordo com levantamento realizado pelo Conselho Federal de Medicina em maio de 2010, a média nacional é de um médico para 578 habitantes. No Estado, esta proporção chega a 700 habitantes por médico, principalmente nas cidades do interior. Nos Estados Unidos, há um profissional para cada 411 pessoas.

– A escassez de especialistas ocorre porque esses profissionais não se submetem a trabalhar pelo salário pago pelo Estado – afirma o presidente da Associação Catarinense de Medicina, Genoir Simoni.

Para contornar a situação, as entidades defendem a adoção de políticas eficazes de interiorização do trabalho médico, com destaque para a criação de uma carreira de Estado para os profissionais, a implantação de planos de cargos, carreiras e vencimentos, e o aperfeiçoamento dos sistemas de assistência à saúde.

 

Atropelamento e demora no atendimento revolta moradores do Norte da Ilha
Felipe Nunes, de 15 anos, foi atropelado no Rio Vermelho e esperou uma hora para ser atendido pelo Samu
 Familiares e vizinhos se desesperaram com demora do Samu

Um atropelamento na estrada João Gualberto Soares mobilizou e revoltou moradores do bairro Rio Vermelho, no Norte da Ilha. O adolescente Felipe Peixoto Nunes, 15, foi atropelado por volta das 22h15 e só foi resgatado pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) às 23h.  Ele foi encaminhado à emergência do Hospital Infantil e foi transferido para o Celso Ramo, onde passou por exames no início da tarde de quarta-feira (9) e foi internado para a realização de uma nerocirurgia.

A motorista que causou o acidente com o veículo placa EAE4042 de Passo Fundo, RS, preferiu não se identificar, mas contou que Felipe teria saído de trás de um ônibus de transporte coletivo da empresa Canasvieiras e que não deu tempo suficiente para desviar ou parar a tempo.

Pai chama Felipe, que várias vezes perdeu a consciência enquanto esperava socorro

Às margens da estrada, familiares e vizinhos do menino tentavam acalmar a família e buscar ajuda nos serviços de emergência. Segundo eles, o primeiro chamado ocorreu minutos após o acidente, mas o atendimento demorou 45 minutos. Durante este tempo, Felipe agonizava, desmaiava e voltava a abrir os olhos. Para pior a situação, uma chuva forte atingiu a região e os moradores tentavam proteger o menino com guarda-chuvas e guarda-sóis, que pouco resolviam devido ao vento forte. “Estamos abandonados nesse bairro. É sempre assim, nunca somos atendidos com agilidade. Por que não acionaram um helicóptero? Não temos esse direito?”, questionava um morador, que diz ter vivenciado mais três atropelamentos na via, dois deles com vítima fatal.

Segundo o coordenador do Samu da Grande Florianópolis, Alfredo Schmidt, o boletim de atendimento mostra que a ambulância levou 18 minutos para chegar ao local após ser acionada. "Depois de uma hora eles já estavam no Hospital Infantil, tempo considerado favorável. O que pode ter acontecido foi que eles ligaram para a polícia, que então nos acionou. Quando isso acontece, é possível que demore um pouco para que apuremos as informações para envio do veículo. Além disso, o Rio Vermelho é longe e não temos ambulância lá. Há o tempo de deslocamento, já que o veículo chamado fica na Barra da Lagoa ou poderia estar atendendo ocorrência em outro local", explica. Ele ainda afirma que os dois helicópteros disponíveis para atendimento operam apenas no período diurno. "Pode ser que se fosse de dia um helicóptero pudesse atender, mas, mesmo assim, essa é um decisão do médico regulador, que vai avaliar a situação. A princípio, não era um caso grave, já que as informações passadas para a central foram de que o menino estava consciente e não corria risco de morte", complementa.

 

BRASIL
Quase 30% julgam o SUS "bom"
Pesquisa. Outros 28% avaliam o Sistema Único de Saúde como ruim ou muito ruim

Aumentar o número de médicos e reduzir o tempo de espera para atendimento são as principais melhorias sugeridas por brasileiros para o SUS (Sistema Único de Saúde), de acordo com pesquisa divulgada ontem pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Na opinião de 28,9% dos brasileiros, os serviços prestados pelo SUS são bons ou muito bons. Proporção semelhante (28,5%) acredita que esses serviços são ruins ou muito ruins, e 42,6% os consideram regulares.
O estudo ouviu 2.773 pessoas no período de 3 a 19 de novembro de 2010. O objetivo é avaliar a perceoção da população sobre os serviços prestados pelo SUS.
Sobre o atendimento em centros e postos de saúde, quase metade dos entrevistados (46,9%) sugeriu que o número de médicos fosse aumentado. No atendimento por médicos especialistas, 37,3% dos entrevistados fizeram a mesma sugestão. O percentual é semelhante ao de pessoas que cobraram o mesmo em serviço de urgência e emergência (33%).
A pesquisa ouviu também pessoas que pagam planos de saúde. As principais razões ciatdas para aderirem ao segmento da saúde suplementar foram: maior rapidez para consultas ou exames (40%); por ser um benfício fornecido gratuitamente pelo empregador (29,2%); pela maior liberdade para escolha do médico que fará o atendimento (16,9%).
O principal problema apontado em planos de saúde é o preço da mensalidade (39,8%).

 

SAÚDE
Demência pode prejudicar a visão

Segundo dados publicados no "American Journal of Epidemiology", o aparecimento de demências parece estar relacionado a uma baixa visão do paciente, pois idosos com baixa auidade visual apresentam maior probabilidade de sofrer declínio cognitivo ao longo do tempo. Mas este quadro pode ser revertido com uma visita anual ao oftalmologista. Os pesquisadores constataram uma redução de 63% no risco de demência com a realização de exames oftalmológicos preventivos.
O objetivo da pesquisa da Universidade do Michigan era analisar os diferentes procedimentos que precedem o aparecimento da demência. Relacionando dados do sistema de saúde e de aposentadoria, os pesquisadores americanos perceberam um déficit nos procedimentos relacionados à visão nas pessoas que foram diagnosticadas com algum tipo de comprometimento cognitivo ou demência.
Depois de perceber esta relação, os cientistas passaram a analisar o prontuário médico dos aposentados para determinarse a perda da visão resultou um déficit cognitivo. Foram incluídos neste estudo retrospectivo 625 idosos aposentados, cujo nível de conhecimento era normal no início da pesquisa.

 

 

R7.com

Pesquisa revela que sete em casa dez brasileiros acham que o Serviço Público de Saúde é fraco

Os brasileiros que dependem de hospital público têm uma lista de reclamações. Essa insatisfação ficou evidente em um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o IPEA. A pesquisa mostrou que sete em cada dez pessoas que utilizam os hospitais públicos acham o serviço regular, ruim ou muito ruim. Os entrevistados apontaram a falta de médicos como o principal problema do Sistema Público de Saúde. As demoras no atendimento e para conseguir um especialista também atormentam. Por outro lado, os entrevistados disseram que a maior vantagem do SUS é o fato de todos os brasileiros poderem ter acesso ao serviço de saúde gratuitamente.

 

 

Estudo do Ipea aponta falta de médicos como o principal problema da saúde pública no Brasil
Salários baixos, falta de incentivos e más condições de trabalho afastam profissionais do SUSIngrid dos Santos

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que a falta de médicos é o principal problema do Sistema único de Saúde (SUS). A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira, revela a percepção da população sobre os serviços prestados pelo SUS. Foram ouvidas 2.773 pessoas de todas as regiões do país entre os dias 3 e 19 de novembro do ano passado.

O estudo aponta que 57,9% dos entrevistados que usaram ou acompanharam familiares para atendimento no sistema público de saúde nos 12 meses anteriores à pesquisa indicaram a falta de médicos como o problema mais grave do SUS. Já entre as pessoas que não utilizam o sistema público, 58,8% apontaram a falta de médicos como principal deficiência.

A demora no atendimento ficou em segundo lugar, indicada como principal problema por 35,9% dos usuários do SUS, contra 32,8% para quem não utiliza o serviço. A terceira maior deficiência mostrada pelo Ipea foi a demora para conseguir uma consulta com especialista; apontada por 34,9% dos que utilizaram ou acompanharam familiares e por 28,9% dos que não são usuários do SUS.

 

A espera por atendimento em SC

A falta de médicos e a demora no atendimento também são reclamações constantes de usuários do SUS em Santa Catarina.Na Grande Florianópolis, as filas para atendimento são frequentes no setor de emergência do Hospital Regional de São José, um dos maiores hospitais públicos de Santa Catarina.

Com o pé engessado por conta de um acidente de moto, a vendedora Ariane Lavarda, de 20 anos, esperava havia 3 horas pela consulta de retorno com um ortopedista.

— Na primeira consulta foi difícil, cheguei no hospital às 15 horas e só fui atendida pelo ortopedista às 23 horas. É muita gente para pouco médico, toda hora eu vou ali no balcão perguntar se falta muito para ser atendida, eles me disseram que só tinha um ortopedista, agora há pouco é que chegou mais um — reclamou.

O casal Gleizer Priscila dos Prazeres, 24 anos, e Flávio Moura Filho, 29 anos, estava havia três horas na emergência do Hospital Regional esperando por atendimento, na tarde de ontem. Flávio queixava-se de dores no corpo e dificuldades para respirar. Impacientes, eles contam que já estão acostumados com a demora no atendimento.

— Quando vamos ao posto de saúde de Forquilhinhas, onde moramos, eles dizem que não tem médico, por isso viemos para cá. E aqui é a mesma história de sempre, ficamos horas esperando — disse Gleizer.

A auxiliar de produção conta que há alguns dias procurou a emergência do hospital pois estava com dores no útero por conta de um aborto sofrido havia um mês.

— Cheguei aqui às 8 horas e só fui atendida às 18 horas. A gente que depende do SUS é muito maltratado, é um descaso com a população— desabafou Gleizer.

O Diário Catarinense entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde, que não se pronunciou sobre o assunto.

Para ACM, o problema é a má distribuição de médicos

De acordo com o presidente da Associação Catarinense de Médicos (ACM), Genoir Simoni, o maior entrave para a saúde pública no Brasil é a má distribuição dos médicos.

Um levantamento feito no ano passado por entidades médicas nacionais e estaduais aponta que a natalidade médica no país (quantidade de médicos que se formam) foi de 27% na última década, enquanto o crescimento populacional foi de apenas 12% no mesmo período.

— Não há falta de médicos em si, o problema é a má distribuição dos profissionais. — afirmou Simoni.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a existência de um médico para cada mil habitantes. A média nacional é de um médico para 578 pessoas, de acordo com o levantamento feito pelo CFM em maio de 2010. Já em Santa Catarina, essa proporção chega a 300 habitantes por médico, na região da capital, e uma média de 700 habitantes por médico em alguns municípios do interior do estado.

Entretanto, embora as médias nacional e estadual sejam superiores ao que indica a OMS, o serviço público apresenta carência de profissionais em diversas especialidades.

— A falta de médicos no SUS ocorre devido aos salários baixos, falta de atrativos, falta de concursos públicos e más condições de trabalho — afirma o presidente da ACM.

Para ele, o governo deveria adotar políticas de saúde para a interiorização do trabalho médico, além de criar um plano de carreira para os profissionais do Estado.