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Florianópolis, 14 de novembro de 2014.

A obesidade, já considerada uma epidemia mundial, é um dos principais fatores de risco para o diabetes, especialmente nas crianças. Esse é o motivo do alerta que a Secretaria de Estado da Saúde (SES) faz neste Dia Mundial do Diabetes, 14 de novembro. Hoje, metade da população mundial é obesa ou está acima do peso. Entre as crianças e adolescentes, esse índice chega a 36%.

Segundo o endocrinologista pediátrico do Hospital Infantil Joana de Gusmão (HIJG), Genoir Simoni, a obesidade infantil é responsável pelo aumento dos casos de Diabetes Tipo II, doença que torna as células resistentes à ação da insulina. Um dos primeiros sinais é o escurecimento nas dobras do pescoço, pernas e axilas. “Isso indica que o organismo está trabalhando muito para produzir insulina a fim de compensar os índices de glicemia”, explica Simoni. A completa regressão do Diabetes Tipo II depende da prática de hábitos saudáveis, atividade física e do uso de medicamentos orais específicos.

Se a obesidade não for corrigida, o quadro pode evoluir para o Tipo I, quando o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina. Nesse caso, a doença pode se desenvolver independentemente do peso, pois se trata de uma lesão auto-imune. Fatores ambientais e genéticos também podem influenciar. Segundo Simoni, “nas crianças, essa lesão ocorre de forma abrupta, e a doença se desenvolve muito rapidamente, de modo que em poucas semanas o paciente já se torna insulinodependente e precisa tomar doses diárias do hormônio”. Hoje, mais de 350 crianças com Diabetes Tipo I são tratadas no HIJG. Elas são acompanhadas a cada três meses ou mais, conforme o grau de controle da doença, que não tem cura.

Sinais de alerta e prevenção

Quando a criança, de uma hora para outra, passa a ingerir muita água, de três a cinco litros por dia, fazer xixi a todo instante, comer mais e ainda assim perder peso, os pais devem ficar atentos. Esses são sinais clássicos do Diabetes Tipo I. “Uma mãe relatou que havia formigas no vaso sanitário, isso ocorre porque o rim elimina pelo xixi a glicose que o pâncreas não consegue absorver. Essas crianças precisam ser acompanhadas continuamente, não só pelo endocrinologista, mas por uma equipe multidisciplinar”. Para que a criança tenha condições de vida normal, os aspectos familiares e emocionais são tão importantes quanto a reposição de insulina.

Por ser uma doença auto-imune, não há mecanismos de prevenção para o Diabetes Tipo I. No entanto, para evitar que a criança desenvolva o Diabetes Tipo II, é fundamental que ela receba alimentação adequada, desde quando está na barriga da mãe. O aleitamento materno e a transição deste para uma alimentação saudável deve ser acompanhada, quando possível, por um profissional. Ao longo do crescimento, os pais devem evitar que os filhos ganhem muito peso e sejam sedentários. Muitas horas em frente à TV devem ser revertidas em mais atividades ao ar livre.

Principais sintomas do Diabetes

  • Poliúria – a pessoa urina demais e, como isso a desidrata, sente muita sede (polidpsia);
  • Aumento do apetite;
  • Alterações visuais;
  • Impotência sexual;
  • Infecções fúngicas na pele e nas unhas;
  • Feridas, especialmente nos membros inferiores, que demoram a cicatrizar;
  • Neuropatias diabéticas provocada pelo comprometimento das terminações nervosas;
  • Distúrbios cardíacos e renais.

Fatores de risco da doença

  • Obesidade (inclusive a obesidade infantil);
  • Hereditariedade;
  • Falta de atividade física regular;
  • Hipertensão;
  • Níveis altos de colesterol e triglicérides;
  • Medicamentos, como os à base de cortisona;
  • Idade acima dos 40 anos (para o diabetes tipo II);
  • Estresse emocional.