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Florianópolis, 15 de outubro de 2014.

Localizado no município de São Pedro de Alcântara, a 20 quilômetros da BR 101, o Hospital Santa Teresa (HST) funciona como uma cidade. Além dos 23 portadores de Hanseníase, o local abriga 42 pacientes psiquiátricos, que o consideram sua própria casa. Ali, eles têm uma rotina de cuidados e realizam atividades ocupacionais diárias supervisionados por um profissional que se tornou um amigo íntimo, os trata pelo nome e os conhece mais do que eles próprios.

O terapeuta ocupacional Marcelo Bonacin, funcionário do HST há 20 anos, conta que os pacientes comparecem espontaneamente e têm liberdade para trabalhar. A sala de tapeçaria, com teares e mesas, acomoda os artesãos que dão vida às tiras coloridas de malha, enfileiradas uma a uma, e cuidadosamente acomodadas para formar tapetes de tamanhos e combinações diversas, conforme a imaginação de cada um.

A matéria prima usada no atelier é fruto de doações. O dinheiro arrecadado com a venda das peças é revertido ao paciente que a produziu. Ainda que o hospital forneça os insumos básicos de que eles necessitam, alguns costumam comprar alimentos e produtos de higiene no mercadinho que fica em frente à unidade. “Isso é bom, porque eles estão exercendo a cidadania e suas escolhas”, explica Bonacin.

A terapia ocupacional emprega atividades de trabalho e lazer no tratamento de indivíduos com distúrbios físicos e mentais ou desajustes emocionais e sociais. O terapeuta ocupacional, para quem o dia 13 de outubro é dedicado, colabora para a promoção da autonomia desses pacientes. Nesse sentido, a equipe do HST, coordenada por Marcelo Bonacin, organiza passeios à praia, ao shopping, rodas de chimarrão e até pequenas confraternizações.  “A base do nosso trabalho é a humanização. Por isso, procuramos dar aos pacientes oportunidades da vida cotidiana. Alguns pacientes nunca tinham visto o mar, por exemplo, e é gratificante poder dar a eles a oportunidade dessa experiência”, relata o terapeuta.

O hospital, fundado em 1940, pertence à Secretaria de Estado da Saúde (SES), e tinha como finalidade inicial confinar e segregar pessoas portadoras de Hanseníase, na época chamada de Lepra. Atualmente, o HST conta com 132 funcionários, além do serviço de higienização e vigilância. A unidade abriga 23 pacientes com Hanseníase e atua como hospital de retaguarda, com capacidade de 20 leitos.